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A nova safra de alimentos vai do laboratório para o prato

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Grandes pastagens, milhares de cabeças de gado e matadouros.Por séculos, a produção de carne foi baseada na criação e no abate de animais em escala industrial. Com o aumento da população, a humanidade precisará produzir cada vez mais alimentos e, por mais que a produtividade do campo esteja aumentando, sempre haverá um impacto ambiental. Diante desse cenário, algumas empresas novatas têm investido em soluções tecnológicas para produzir e vender carne sem a necessidade de criar e sacrificar animais. Toda a matéria-prima é desenvolvida em laboratório. Com isso, espera-se que, em breve, seja possível produzir um bife ou um hambúrguer sem esperar o ciclo de vida dos animais.

As startups que usam a tecnologia na produção de alimentos — apelidadas de foodtechs — buscam alternativas para a produção de diversos tipos de comida. Já existe a maionese sem ovos, o queijo sem leite animal, o hambúrguer à base de proteína vegetal e até um nugget vegano, feito de grão-de-bico, cebola, milho e cenoura. A maioria desses produtos já é comercializada e tem ganhado consumidores especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Recentemente, a rede de fast-food Burger King — controlada pelo grupo 3G Capital, dos brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — anunciou que, até o fim do ano, pretende vender um lanche de proteína vegetal em todas as suas unidades nos Estados Unidos. A “carne” é produzida pela startup americana Impossible Foods, especializada no desenvolvimento de produtos de proteína vegetal. Fundada em 2011, ela recebeu, em maio, um investimento de 300 milhões de dólares.

A mudança mais radical no mercado de alimentos, no entanto, são as carnes de proteína animal de verdade, mas que são produzidas em laboratório. Nesse caso, as empresas utilizam pequenas amostras de células-tronco de animais reais, as quais são cultivadas por cientistas. As amostras recebem nutrientes para que se desenvolvam e formem tecidos musculares. Quando pronta, a carne é consolidada em formatos populares. O mais comum é o do hambúrguer, adotado pelas startups americanas Just e Memphis Meats, e também pela holandesa Mosa Meat.

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